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sábado, 11 de julho de 2015

"Fico perplexa diante dessas pessoas que carregam nos ombros uma vela de dois metros de altura para agradecer um emprego, pessoas que sobem trezentos degraus de joelhos para agradecer a volta de um filho pródigo, pessoas que caminham vários quilômetros sob o sol forte por sentirem-se devedoras de uma graça alcançada.
Aprendemos desde cedo que a promessa, para ter algum valor, tem que nos fazer abdicar de algo que gostamos muito. Muitas garotas já prometeram ficar uma semana sem tomar refrigerante caso um determinado carinha ligasse no sábado. Rapazes prometem ficar sem ver futebol na tevê se passarem no vestibular. Mulheres prometem ficar uma semana sem ver novela se o contrato do aluguel for renovado. Sofrimentos mais urbanos e menos trabalhosos, mas, ainda assim, punições.

Outro dia, lendo uma entrevista que o ator José Dummont deu à revista República, fechei com ele: promessa tem que ser pro bem, não pro mal. Em tom de brincadeira, ele disse que, para conquistar o que quer, promete que vai passar o dia sorrindo, promete que vai dizer bom-dia para todos que cruzarem na sua frente, promete que vai tratar bem de si mesmo. Gênio.

Agradecer com orações é uma coisa. Agradecer com esfoliações, outra. Eu prefiro agradecer ouvindo música, procurando os amigos, levando as situações com bom humor, cumprindo minhas responsabilidades, dormindo tranquila, lendo poemas, fazendo ginástica. Agradeço usufruindo a saúde que recebi, e não entregando-a feito um dízimo cobrado de todos os que têm seus sonhos atendidos. Ser infeliz, sim, é que devia ser pecado".

- Martha Medeiros em "Prometa não sofrer"       


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