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sexta-feira, 24 de julho de 2015

"A literatura juvenil é tão importante em nossa cultura porque as histórias que ela conta repetem uma espécie de mito fundador da modernidade: um conto de criança que trata do heroísmo de crescer, se tornar independente, se afastar do amparo dos adultos, descobrir e inventar um destino diferente, autônomo.
[...]
Para significar e garantir a liberdade infantil e adolescente, as crianças protagonistas - de Tom Sayer a Tarzan, passando por Narizinho - são sempre órfãs ou quase. Harry também é órfão. Os pais mortos por Voldemort lhe deixaram um pecúlio suficiente para não se preocupar. Do amor materno, lhe sobra uma proteção permanente contra todo sortilégio assassino. Do pai, uma lição de coragem. Assim, Harry está certo de ter sido amado, mas pode e deve crescer sozinho e livre.

As circunstâncias levam Harry a lutar contra o malvado Voldemort. O órfã se transforma assim em vingador de seus pais e salvador do mundo. Ou seja; ele encarna um paradoxo: é livre para realizar exatamente os sonhos mais ambiciosos de seus pais. Que liberdade é essa? A contradição faz de Harry um compêndio da glória, das dores e das ilusões de nossa subjetividade contemporânea".

Contardo Calligaris in "O segredo de Harry Potter"
Fichamentos para meu TCC com Reginaldo Júnior - "Harry Potter e o adolescente do mundo real" (2009)   
  


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