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terça-feira, 23 de setembro de 2014


"— Por que é que você olha tão demoradamente cada pessoa?
Ela corou:
— Não sabia que você estava me observando. Não é por nada que olho: é que
eu gosto de ver as pessoas sendo."

— Clarice Lispector



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Há pessoas que têm vergonha de viver: são os tímidos, entre os quais me incluo. Desculpem, por exemplo, estar tomando lugar no espaço. Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! grita a alma do tímido que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver (p.  23)




"Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você. Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro. Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que "eu não sei viver sem você", "apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim". A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou. Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim "ele é bom demais pra mim". E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião."

- Pe. Fabio de Mello


domingo, 21 de setembro de 2014

"Se olharmos as coisas de perto, na melhor das hipóteses chegaremos à conclusão de que as palavras tentam dizer o que pensamos ou sentimos, mas há motivos para suspeitar que, por muito que procurem, não chegarão nunca a enunciar essa coisa estranha, rara e misteriosa que é um sentimento."

- José Saramago


sábado, 20 de setembro de 2014


"Acreditar que a epidemia mundial de depressão pode ser erradicada com pílulas é afirmar que no nosso mundo nada falta. E um pouco mais grave que isso: é acreditar não apenas que é possível atingir uma vida em que nada falte, como atingi-la é uma mera questão de adaptação, pró-atividade e saúde. 

No âmbito do indivíduo, tratar a depressão apenas com medicamentos é tornar ilegítima a sua dor. É dizer ao depressivo que o que ele sente não merece ser ouvido porque é produto apenas de uma disfunção bioquímica. É reforçar a crença de que o depressivo não tem nada a dizer sequer sobre ele mesmo. É cristalizar o estigma. Sem contar que tentar calar os sintomas da depressão à custa de remédios leva ao embotamento da experiência, ao esvaziamento da subjetividade. O que se sente é silenciado – e não elaborado. E, ainda que alguém achasse que vale a pena se anestesiar da condição humana, o efeito do remédio, como bem sabemos, é temporário."

- Eliane Brum em "O depressivo na contramão"
Texto integral em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI107441-15230,00-O+DEPRESSIVO+NA+CONTRAMAO.html


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A descoberta do amor

       “[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
       Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver



"O apaixonado sofreria menos com a morte da pessoa amada que com a sua partida para um novo amor. Quem quiser entender as razões dos crimes de amor terá que levar isto em consideração. Quem mata por amor é como um fotógrafo que deseja eternizar a imagem amada na bela cena."

- Rubem Alves em "Entre dois amores"


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

"Viver, essa difícil alegria
Viver é jogo, é risco.
Quem joga pode ganhar ou perder.
O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo.
Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso:
Ganhamos nossa possibilidade de ganhar.
Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias.
Quem não sabe perder, acumula ferrugem nos olhos e se torna cego – cego de rancor.
Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade,
as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom – se torna fascinante.
Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos
constitui.
Somos feitos de tempo, e isso significa:
Somos passagem, movimento sem trégua, finitude.
A quota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo.
É preciso garimpá-la, com incessante coragem, para que o gosto do seu ouro possa fulgir em lábio.
Se assim acontece, somos alegres e bons, a nossa vida tem sentido."

- Entrevista de Helio Pellegrino à Clarice Lispector 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou mistério.

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos 
a sério."

- Lya Luft



terça-feira, 16 de setembro de 2014

“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!” 

- Florbela Espanca







"Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

- Clarice Lispector





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"Em certa ocasião, uma menina de 3 para 4 anos desenhou uma imagem de sua mãe grávida, anunciando que era ela mesma que estava em sua barriga. Quando lhe perguntaram onde ela estava, já que não havia barriga no desenho, ela apontou o grandes olhos que colocara na mãe e disse: aqui. Não há melhor síntese do processo descrito pelo psicanalista francês Jacques Lacan, enquanto estádio do espelho. Ele explica que a imagem corporal da criança não é concebida de dentro para fora, ela é operada de fora para dentro, proveniente do olhar que a mãe ou substituta possa oferecer. Por isso, o corpinho da criança nasce da barriga, mas seu 'eu', sua imagem corporal, é parido pelos olhos da mãe. Óbvio que esse olhar tem de ser expressivo do quanto essa criança significa e de tudo o que é esperado dela."

- Corso & Corso em Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis 

    

domingo, 14 de setembro de 2014

Assim eu vejo a vida

"A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver."

- Cora Coralina 


sábado, 13 de setembro de 2014

- Diagnosticando Amélie Poulain:

"Apesar de os borders (borderlines) buscarem a atenção e o afeto das pessoas, o fazem de modo inábil, manipulando e brigando, o que suscita a rejeição que tanto temem. [...] Amélie não tem realizações pessoais, se sente privada de si mesma, não consegue encarar a realidade e não sabe estabelecer uma relação afetiva com os outros, apenas fica feliz ao ver a felicidade do outro".


- Ana Beatriz Barbosa Silva em Corações descontrolados (p. 52-53)


"Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê."

- Otto Lara Resende
O que você tem deixado de ver?


sexta-feira, 12 de setembro de 2014




“A esperança vê o que não existe no presente. Existe só no futuro, na imaginação. A imaginação é o lugar onde as coisas que não existem, existem. Este é o mistério da alma humana: somos ajudados pelo que não existe. Quando temos esperança, o futuro se apossa dos nossos corpos. E dançamos.” 

- Rubem Alves


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

"O amor me chamou pra um outro lado e eu fui atrás dele. Eu pensei que se eu não fosse, a minha vida inteira ia ser assim. Vida de tristeza, vida de quem quis de corpo e alma e mesmo assim não fez. Daí eu fui. Eu fui e vou, toda vez que o amor me chamar, vocês entendem? Como um cachorrinho, mas coroada como uma rainha."

- Lisbela e o Prisioneiro



"É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota". 

- Theodore Roosevelt


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Nós, humanos, estamos condenados a viver ligados uns aos outros - ou abençoados por conta disso. 
Enquanto uma única pessoa estiver sofrendo, ninguém será totalmente feliz."

- A. G. Roemmers em "O retorno do jovem príncipe" 


terça-feira, 9 de setembro de 2014

"Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta."


- Martha Medeiros


segunda-feira, 8 de setembro de 2014


Eu ...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...


Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

- Florbela Espanca



"Os que têm medo sonham. Porque tenho medo da cidade grande onde me perco eu sonho com cidade grande que posso amar. É uma utopia. Não existe. Mas não tem importância. Valéry perguntou: “Que seria de nós sem o socorro das coisas que não existem?” O que não existe socorre. Oscar Wilde, que sabia do socorro das coisas que não existem, escreveu: “Um mapa do mundo que não inclua o país da Utopia não merece nem mesmo um olhar, pois ignora o único país ao qual a Humanidade constantemente chega. E quando a Humanidade lá atraca, fica alerta, e levanta novamente as âncoras ao vislumbrar terra melhor…”

- Rubem Alves


domingo, 7 de setembro de 2014


Por que morrer?


Por que morrer?
Porque o sonho se tornou pesadelo.
Porque a razão humana é mais hipocrisia e menos verdade.
E a liberdade é apenas, para os ingênuos, uma inalcançável utopia.

Morrer é um ato humano de liberdade suprema.
É ganhar de Deus a última partida.
É passar, democraticamente, uma rasteira na dor por amor à vida.

É ir atrás de um novo céu onde, talvez, a glória nos sorria,
porque este que nos abriga tem uma eterna cara de cão raivoso
que nos humilha, latido a latido, segundo a segundo,
cada vez com maior fúria, deixando-nos um pouco mais escarnecidos.

Morrer é arriscar com uma só carta toda nossa vida.
É apostar tudo no desejo de encontrar um luzeiro que nos ilumine um novo caminho.

E se perdemos a aposta, só perderemos a desesperança e a dor infinita.
Só perderemos o pranto que, lágrima após lágrima, nos inunda a alma.

Como o náufrago que, depois de afundado o barco,
só espera, com a resignação do vencido, esgotar a força da última braçada
para entregar-se, como o amante submisso, às ternas carícias de seu mar amado;
a seu beijo salgado e arrulhos de brisas.

E se ganhamos a aposta da morte, se a sorte esquiva uma única vez nos olha,
ganharemos o céu, porque no inferno já passamos toda nossa vida.

Por que morrer?
Porque toda viagem tem sua hora de partida. E todo aquele que parte de viagem
tem o privilégio, e o direito, de escolher o melhor dia de saída.

Por que morrer?
Porque às vezes a viagem sem retorno é o melhor caminho
que a razão pode nos ensinar, por amor e respeito à vida.
Para que a vida tenha uma morte digna.

- Ramón Sampedro em "Cartas do Inferno",
livro que deu origem ao filme "Mar Adentro"






"Independência nada mais é do que ter poder de escolha. Conceder-se a liberdade de ir e vir, atendendo suas necessidades e vontades próprias, mas sem dispensar a magia de se viver um grande amor. Independência não é sinônimo de solidão. É sinônimo de honestidade: estou onde quero, com quem quero, porque quero".

- Martha Medeiros, em Feliz por nada
Trecho da crônica: a mulher independente



- Cena do filme "De repente 30"

sábado, 6 de setembro de 2014

"Alguém pergunta, você quer sarar?
Claro que sim, respondo.
Então peça a Deus, se o fizer de verdade vai sarar.
Mas, se Deus já sabe que quero sarar de verdade, por que tenho que pedir?
Alguém diz: eu o aprecio muito. Você acredita em mim?
Sim, mas o que importa se você me aprecia muito ou muitíssimo, e eu também o aprecie, se isso não muda a realidade?
Você desistiu de viver. Isso é negativo, destrutivo, assegura o sabichão.
Essa maneira de pensar entre dominante e serviçal é tão ridícula que só um ser absolutamente degenerado pode achar natural esse comportamento humilhante. 
Se não fosse por seus defeitos, você não seria o mesmo!
Será que você seria como é se não fosse tetraplégico?
Você pensaria sobre as mesmas coisas?
É claro que não, o indivíduo sempre é ele mais sua circunstância. Mas se você necessita da visão, ou da vivência do horror para se elevar e crescer espiritualmente, humanizar-se e ser ética e moralmente superior, olhe para si mesmo. Pode ser que você seja incapaz de amar, mas não justifique por causa disso o horror dos demais. Para entender a dor não é necessário vivê-la!"

- Ramón Sampedro em Cartas do Inferno - livro que deu origem ao filme Mar Adentro




"Como o Tigrão, mesmo a mais saliente das crianças consegue olhar de fora a cena da sua bagunça e temer pelos seus efeitos. Aliás, seu objetivo é produzir efeitos, pois como o tigre, suas preocupações se centram no amor e na atenção que é capaz de gerar. Seu lema seria: 'falem mal de mim, mas não falem de outra coisa'. [...] as crianças aprontam confusões como uma forma de diálogo com os outros, toda ação sua está na expectativa de uma reação."

- Corso e Corso em Fadas no Divã - Psicanálise nas histórias infantis




sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Você já ouviu alguém dizer para outra pessoa: “minha vida é você”?

Enquanto o eixo de sua sustentação psicológica for outra pessoa, a sua vida estará sempre ameaçada, pois o medo da perda vai rondar seus passos a cada minuto.

- Wanderley Oliveira



"A preocupação moral não é estrangeira ao trabalho psicoterápico, mas, para o terapeuta, o bem e o mal de uma vida não se decidem a partir de princípios pré-estabelecidos; eles se decidem na complexidade da própria vida da qual se trata."

- Contardo Calligaris em "Cartas a um jovem terapeuta"