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terça-feira, 30 de setembro de 2014

"Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. 
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. 

Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus. 
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. 

Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. 
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. 
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver  (p. 52-53)


"Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a."

Goethe


segunda-feira, 29 de setembro de 2014


“Acredito que o objetivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade.” 

―Dalai Lama




domingo, 28 de setembro de 2014

"Carência é algo como comparar sua vida com um automóvel.
Cada pessoa recebe uma vida para gerenciar e melhorar a si mesmo. Uma vida para dirigir na estrada do aprimoramento e na construção da autoestima. O carente é aquele que confia o volante da sua vida para algumas pessoas.
Essas pessoas nem sempre vão guiar o carro na direção correta da estrada que pertence ao carente. Farão desvios, atalhos e vão usar a contramão decepcionando a você que deveria estar no volante da sua existência.
Será por que o carente faz isso?
Porque ele acredita que outras pessoas podem fazer por ele o que ele tem que fazer por si, e também porque ele não confia na sua própria direção achando-se incapaz de conduzir seu automóvel na direção certa e com segurança necessária.
E pior é que quando os motoristas a quem ele confiou o volante saem do trajeto e colocam o carente mais longe de sua própria rota, ele ainda reclama dos outros, fazendo-se de vitima da vida.
Fica magoado com as pessoas a quem delegou confiança e quando vê seu automóvel dilacerado e fora do curso de sua felicidade tenta culpa-los por isso.
Assuma o volante da sua vida, peça a todos para descerem do carro da sua vida e prossiga sua jornada. Somente depois de um tempo, quando mais maduro e consciente de seu roteiro, escolha quem você quer por perto.
Entretanto, nunca passe o volante a mais ninguém."

- Wanderley Oliveira




"De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava.Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante. E ele:
- Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? Você está tendo emoção.
Entendi, aceitei, e disse-lhe:
- Não vou tomar nenhum calmante.
E vivi o que era para ser vivido."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver (p. 57)  


“Orações e poemas são a mesma coisa:
palavras que pronunciamos a partir do silêncio,
pedindo que o silêncio nos fale.”

Rubem Alves



sábado, 27 de setembro de 2014

"Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Como sou misteriosa. Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.
Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado ao espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria talvez de narcisismo, mas eu chamaria de: alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver (p. 41-42) 


"Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto
É como se abrisse o mesmo livro
Numa página nova..."

- Mario Quintana




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

"Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem. Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping. Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema. Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais. Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo. 

Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certo que conheceu uma pessoa especial. Custa a se dar conta de que eles são vampiros, parecem gente. Até que começam a sugar você. Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões. Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota. Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne. 

Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos. Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda, e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força. Aí ele se revitaliza e bate as asinhas. Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia. E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor. 

Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho. Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais."

- Martha Medeiros Crônica "Vampiros", 2003.


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver (p. 61) 


"Esta noite tive um sonho dentro de um sonho. Sonhei que estava calmamente assistindo artistas trabalharem no palco. E por uma porta que não era bem fechada entraram homens com metralhadoras e mataram todos os artistas. Comecei a chorar: não queria que eles estivessem mortos. Então os artistas se levantaram do chão e me disseram: nós não estamos mortos na vida real, só como artistas, fazia parte do show esse morticínio. Então sonhei um sonho tão bom: sonhei assim: na vida nós somos artistas de uma peça de teatro absurda escrita por um Deus absurdo. Nós somos todos participantes desse teatro: na verdade nunca morremos quando acontece a morte. Só morremos como artistas. Isso seria a eternidade?" 

- Clarice Lispector em "Um sopro de vida" 



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

"Você é o centro do seu Universo. Tudo o que vem de você, para você, importa. Nada é pequeno. Nada é irrelevante. Tudo tudo tudo o que diz respeito a você é tudo tudo tudo o que você precisa saber, porque quando você se conhecer verdadeiramente e aprender a se amar verdadeiramente, aí então poderá amar outras pessoas.
Como amar verdadeiramente alguém se, mais cedo ou mais tarde, esta pessoa vai escancarar características suas que você detesta? Enquanto ela é um espelho daquilo que existe dentro de você e você ama está tudo certo, mas e quando ela for um espelho de suas características sombrias que você detesta? E então você deixa de amá-la e pensa, "puxa vida, como pude me enganar tanto assim com fulano?".
Você não se engana com fulano, ou sicrano, ou beltrano. Você se engana consigo mesmo. Se acha tão pouco digno de importância que segrega características suas para poder ser amado pelos demais. Mas se acha tão o centro do Universo que não tolera alguém que te devolva a imagem que você não quer ver, e então você briga com os outros.
Você, seu pequeno você, é a coisa mais importante do Universo. E pelo simples motivo de que todas as coisas que você enxergar fora de você se referem ao que existe dentro. Por favor, conheça-se. Quanto mais consciência você trouxer ao seu mundo, mais o mundo fora de você se iluminará."

- Flavia Melissa


"Ora, é óbvio para qualquer psicoterapeuta que, em muitas situações, é aconselhável tentar modificar o humor do paciente quimicamente. Por exemplo, um paciente deprimido a ponto de não sair da cama e não abrir a boca também não terá a mínima motivação necessária para operar algumas mudanças em sua vida, com ou sem a ajuda de um terapeuta. Uma correção química do nível de serotonina poderá, com um pouco de sorte, permitir que ele encontre as forças para se mexer.

Mas ninguém, com a exceção talvez dos acionistas das companhias farmacêuticas, sonha com um mundo em que as causas de nossos afetos seriam sistematicamente negligenciadas e nossos humores pacificados com uma contínua intervenção química capaz de impor ao cérebro um equilíbrio ideal.

Todos sabemos que, por mais que eu tome a pílula mágica na hora da morte de meu amigo, algum dia terei de enfrentar a dor de um luto. A não ser que decida viver para o resto de minha vida sob anestesia."

- Contardo Calligaris em Cartas a um jovem terapeuta 


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"O processo de socialização, o que chamamos de educar, ou amadurecer, ou crescer, consiste precisamente em podar as florescências fantasiosas, fechar as portas do delírio, amputar nossa capacidade de sonhar acordados; e ai de quem não souber selar essa fissura com o outro lado, porque provavelmente será considerado um pobre doido."

- Rosa Montero em “A louca da casa”


terça-feira, 23 de setembro de 2014


"— Por que é que você olha tão demoradamente cada pessoa?
Ela corou:
— Não sabia que você estava me observando. Não é por nada que olho: é que
eu gosto de ver as pessoas sendo."

— Clarice Lispector



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Há pessoas que têm vergonha de viver: são os tímidos, entre os quais me incluo. Desculpem, por exemplo, estar tomando lugar no espaço. Desculpem eu ser eu. Quero ficar só! grita a alma do tímido que só se liberta na solidão. Contraditoriamente quer o quente aconchego das pessoas."

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver (p.  23)




"Na vida, a gente só sabe que ama alguém, a gente só tem o direito de dizer a alguém que a amamos depois de ter dito infinitas vezes a esse mesmo alguém a frase: eu perdoo você. Porque na verdade a gente só sabe que ama, depois de ter tido a necessidade de perdoar. Antes do perdão a gente pode ter admiração por alguém, mas admirar alguém ainda não é amar, porque admiração não nos leva a dar a vida pelo outro. Admiração é um sentimento, uma situação superficial, eu admiro aquela pessoa, mas eu sei que amo depois de ter olhado nos olhos, saber que errou, que não fez nada certo e ainda sim eu continuar dizendo que "eu não sei viver sem você", "apesar de ter errado tanto continuas sendo tão especial para mim". A gente sabe que ama as pessoas assim, depois de ter feito o exercício de olhar nos olhos no momento que ela não merece ser olhada e descobrir ainda ali uma chance, ainda não acabou. Coisa boa na vida é a gente encontrar gente que nos trate assim com esse nível de verdade, gente que nos conhece de verdade, que já foi capaz de conhecer todas as nossas qualidades, mas também todos os nossos defeitos, porque eu não sou só qualidades, eu tenho um monte de defeitos, e só me sinto amado no dia que o outro sabe dos meus defeitos e mesmo assim continua acreditando em mim, muitas vezes nosso amor não é assim, a gente ama o outro pelo que ele faz de certo ou de bom pra nós, e as vezes até elegemos o outro assim "ele é bom demais pra mim". E o dia que deixa de ser? Deixou de ser amigo? No dia que falhou, que errou, que esqueceu, no dia que não conseguiu acertar, continua tendo valor pra você? Ou você só ama aqueles que conseguem lhe fazer o bem? Jesus disse que não tinha mérito nenhum em amar aqueles que nos amam, que o mérito está em amar o outro mesmo quando ele não merece ser amado, eu sei que é um desafio, mas essa é tua religião."

- Pe. Fabio de Mello


domingo, 21 de setembro de 2014

"Se olharmos as coisas de perto, na melhor das hipóteses chegaremos à conclusão de que as palavras tentam dizer o que pensamos ou sentimos, mas há motivos para suspeitar que, por muito que procurem, não chegarão nunca a enunciar essa coisa estranha, rara e misteriosa que é um sentimento."

- José Saramago


sábado, 20 de setembro de 2014


"Acreditar que a epidemia mundial de depressão pode ser erradicada com pílulas é afirmar que no nosso mundo nada falta. E um pouco mais grave que isso: é acreditar não apenas que é possível atingir uma vida em que nada falte, como atingi-la é uma mera questão de adaptação, pró-atividade e saúde. 

No âmbito do indivíduo, tratar a depressão apenas com medicamentos é tornar ilegítima a sua dor. É dizer ao depressivo que o que ele sente não merece ser ouvido porque é produto apenas de uma disfunção bioquímica. É reforçar a crença de que o depressivo não tem nada a dizer sequer sobre ele mesmo. É cristalizar o estigma. Sem contar que tentar calar os sintomas da depressão à custa de remédios leva ao embotamento da experiência, ao esvaziamento da subjetividade. O que se sente é silenciado – e não elaborado. E, ainda que alguém achasse que vale a pena se anestesiar da condição humana, o efeito do remédio, como bem sabemos, é temporário."

- Eliane Brum em "O depressivo na contramão"
Texto integral em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI107441-15230,00-O+DEPRESSIVO+NA+CONTRAMAO.html


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A descoberta do amor

       “[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
       Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”

- Clarice Lispector em Aprendendo a viver



"O apaixonado sofreria menos com a morte da pessoa amada que com a sua partida para um novo amor. Quem quiser entender as razões dos crimes de amor terá que levar isto em consideração. Quem mata por amor é como um fotógrafo que deseja eternizar a imagem amada na bela cena."

- Rubem Alves em "Entre dois amores"


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

"Viver, essa difícil alegria
Viver é jogo, é risco.
Quem joga pode ganhar ou perder.
O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo.
Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso:
Ganhamos nossa possibilidade de ganhar.
Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias.
Quem não sabe perder, acumula ferrugem nos olhos e se torna cego – cego de rancor.
Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade,
as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom – se torna fascinante.
Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos
constitui.
Somos feitos de tempo, e isso significa:
Somos passagem, movimento sem trégua, finitude.
A quota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo.
É preciso garimpá-la, com incessante coragem, para que o gosto do seu ouro possa fulgir em lábio.
Se assim acontece, somos alegres e bons, a nossa vida tem sentido."

- Entrevista de Helio Pellegrino à Clarice Lispector 


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

"Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou mistério.

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos 
a sério."

- Lya Luft



terça-feira, 16 de setembro de 2014

“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!” 

- Florbela Espanca







"Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."

- Clarice Lispector





segunda-feira, 15 de setembro de 2014

"Em certa ocasião, uma menina de 3 para 4 anos desenhou uma imagem de sua mãe grávida, anunciando que era ela mesma que estava em sua barriga. Quando lhe perguntaram onde ela estava, já que não havia barriga no desenho, ela apontou o grandes olhos que colocara na mãe e disse: aqui. Não há melhor síntese do processo descrito pelo psicanalista francês Jacques Lacan, enquanto estádio do espelho. Ele explica que a imagem corporal da criança não é concebida de dentro para fora, ela é operada de fora para dentro, proveniente do olhar que a mãe ou substituta possa oferecer. Por isso, o corpinho da criança nasce da barriga, mas seu 'eu', sua imagem corporal, é parido pelos olhos da mãe. Óbvio que esse olhar tem de ser expressivo do quanto essa criança significa e de tudo o que é esperado dela."

- Corso & Corso em Fadas no Divã: Psicanálise nas Histórias Infantis 

    

domingo, 14 de setembro de 2014

Assim eu vejo a vida

"A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria.
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver."

- Cora Coralina 


sábado, 13 de setembro de 2014

- Diagnosticando Amélie Poulain:

"Apesar de os borders (borderlines) buscarem a atenção e o afeto das pessoas, o fazem de modo inábil, manipulando e brigando, o que suscita a rejeição que tanto temem. [...] Amélie não tem realizações pessoais, se sente privada de si mesma, não consegue encarar a realidade e não sabe estabelecer uma relação afetiva com os outros, apenas fica feliz ao ver a felicidade do outro".


- Ana Beatriz Barbosa Silva em Corações descontrolados (p. 52-53)


"Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.

Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê."

- Otto Lara Resende
O que você tem deixado de ver?


sexta-feira, 12 de setembro de 2014