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quinta-feira, 5 de março de 2015

"O maior inimigo que nós podemos ter na vida não está de fora. O maior inimigo que nós podemos ter na vida está aqui dentro, sou eu, eu é que faço perder. 
Durante muito tempo eu pensei que os meus problemas fossem causados pelas pessoas que estavam de fora, mas não é verdade. O maior problema quem causa somos nós, é o tanto que a gente deixa o outro nos afetar, é o tanto que a gente deixa o outro nos dominar.

O primeiro passo para mudança tem que ser meu, eu é que tenho que tomar posse dessa mudança e reorientar a minha vida, então se eu cometi erros demais no passado eu preciso me reconciliar com eles agora. Não é possível a gente continuar a vida sem fazer esse processo da reciclagem do que passou. 
O passado tem que ser reciclado." 




- Pe. Fábio de Melo


quarta-feira, 4 de março de 2015

"Expliquei para Iva minhas opiniões pessoais sobre a prece. Ou seja, que não me sinto à vontade pedindo coisas específicas para Deus, porque isso me parece uma certa fraqueza de fé. Não gosto de pedir: 'Será que o senhor poderia mudar isto ou aquilo na minha vida que está difícil para mim?' Porque - quem sabe? - Deus pode querer que eu enfrente esse desafio específico por algum motivo. Em vez disso, sinto-me mais confortável rezando para ter coragem para enfrentar tudo que acontecer na minha vida com equanimidade, seja o que for.
Iva escutou com educação e, em seguida, perguntou:
- Onde você arrumou essa ideia idiota?
- Como assim?
- Onde arrumou a ideia de que não pode fazer um pedido ao universo com uma prece? Você faz parte do universo, Liz. Você é um pedaço dele, e tem todo o direito de participar das ações do universo, e de deixar claros os seus sentimentos. Então, diga a sua opinião. Defenda o seu ponto de vista. Acredite em mim: no mínimo, isso vai ser levado em consideração."

- Elizabeth Gilbert em "Comer, rezar, amar" (p. 40)   


terça-feira, 3 de março de 2015

"Eu sei que nunca mais encontrarei nada nem ninguém que inspire uma paixão. Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira. Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletirmos, não o fazemos. Sei que nunca mais saltarei..."

- Jean-Paul Sartre in Náusea


segunda-feira, 2 de março de 2015



"Por mais difíceis ou abençoados que sejam os seus relacionamentos, procure perfumar a alma daqueles que compartilham a existência contigo. Sabemos que a vida é rápida... O que não sabemos é o quanto as oportunidades de convivência podem ser efêmeras. Se não conseguir amar, respeite. Se amar, aproveite cada segundo, muito!"
- Lígia Guerra


domingo, 1 de março de 2015

"Meu Deus, me dê cinco anos.
Me dá a mão, me cura de ser grande!"

- Adélia Prado


sábado, 28 de fevereiro de 2015

"(...) nosso passado é um pacote fechado, composto de enigmas que, mais que fatos, contêm quase ficção. (...) Graças a esse caráter fantasioso do passado, os psicanalistas acreditam que uma história sempre pode ser revista, levando a um novo final. Passamos nossa vida reeditando nossa autobiografia. Uma análise é isso, e reelaborar o passado ajuda a viver um futuro melhor."

- Diana Corso


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

"(...) Qual é o sentido da vida, do universo e de tudo mais (...) Como o arco-íris, que não existe por si mesmo, mas que é apenas o resultado da interação entre nosso olho e a refração da luz nas gotículas de água, o significado da existência também nasce de uma parceria entre nós e aquilo que achamos que é realidade. É uma retribuição ao que vivemos e experimentamos"

- Faz algum sentido? Liane Alves. Vida Simples. Ed 96. Setembro 2010.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

"Somos todos novatos na vida, cada dia é uma incógnita, podemos ser surpreendidos pelas nossas próprias reações, repensamos mil vezes sobre os mais diversos temas: as ditas "certezas" apenas são escudos que nos protegem das mudanças. Mudar é difícil. Crescer é penoso. 
Olhar para dentro de si mesmo, profundamente, é sempre perturbador."

- Martha Medeiros


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

"Assim como a escuridão é ausência da luz, 
a doença é a ausência da saúde, 
o ódio é a ausência do Amor, 
o erro é a ausência da Verdade
 e toda esta fonte que nos ilumina, se encontra dentro de nós."


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Os quatro compromissos

1 - PRIMEIRO COMPROMISSO:SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA

É o compromisso mais importante. É através da palavra que expressamos nosso poder criativo, quer seja através da fala ou do pensamento. É o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos libertar como para nos escravizar.
O primeiro passo é ter consciência do poder da palavra. E aí então, torná-la impecável. Impecável significa "sem pecado". Bom, mas o que é pecado? Pecado é quando vamos contra a nossa natureza mais íntima, a nossa essência. Ou seja, sempre que nos julgamos, estamos pecando. Sempre que nos julgamos, nos criticamos, nos culpamos, nos condenamos, estamos pecando. E isso cria uma série de conflitos em nossa vida. E assim sem percebermos vamos nos escravizando a esses conflitos.
Devemos observar a nós mesmos, o que dizemos, o que pensamos, e ir modificando nossa palavra. Observar a forma como falamos com nós mesmos (nosso diálogo interior) e evitar qualquer pensamento de crítica, julgamento, culpa, substituindo- os por pensamentos de apoio, afeto, confiança, aceitação. 
Aos poucos vamos realizando também esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.
Ser impecável com nossa palavra é usar nossa palavra para cultivar a semente do amor que existe em nós. É só em terreno fértil que esse amor pode crescer e frutificar.

2 - SEGUNDO COMPROMISSO: NÃO LEVE NADA PARA O LADO PESSOAL

Se você leva as coisas pro lado pessoal é porque, em algum nível, você concorda com o que está sendo dito.
O que os outros fazem, dizem ou pensam tem a ver com a forma como os outros vêem o mundo, e não tem nada a ver com você. Já parou pra pensar nisso?
Não deveríamos levar nada para o lado pessoal, nem as críticas e nem os elogios.
Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do AMOR. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios.
O contrário do amor é o medo, e quanto mais medo tivermos em nós, mais levaremos as coisas para o lado pessoal, criando caos e conflito.

3 - TERCEIRO COMPROMISSO: NÃO TIRE CONCLUSÕES

Temos tendência a tirar conclusões sobre tudo, a presumir verdades.
É por isso que levamos tudo pro lado pessoal, porque acreditamos em nossas conclusões, em nossas "verdades", e como criamos conflito por isso...
Buscamos conclusões porque buscamos nos sentir seguros.
Tiramos conclusões até de nós mesmos. De onde você acha que vem nosso autojulgamento? De nossas conclusões sobre nós mesmos!
Não tirar conclusões significa viver a vida como ela é, dinâmica, viva, aberta, eternamente em movimento. Pare de presumir verdades e simplesmente viva!

Claro que você pode saber mais sobre uma pessoa ou uma situação. Nesse caso, faça perguntas, quantas achar necessário, mas nunca ache que você detém toda a verdade. Tal coisa é impossível..

QUARTO COMPROMISSO: DÊ SEMPRE O MELHOR DE SI

Esse compromisso se refere a ação dos três compromissos anteriores.
Sempre dê o seu melhor, mas lembre que esse melhor nunca será o mesmo, pois tudo sempre está mudando. 
Dê o seu melhor de cada momento, nem mais, nem menos.
Quando você faz o seu melhor pode ter prazer na ação, ao invés de fazer as coisas apenas esperando resultados, apenas esperando a recompensa.
Dar o seu melhor é ser feliz desde agora!
Assim, você irá atingir um ponto em que tudo o que você faz é sempre o seu melhor.
Sempre que não conseguir manter um dos compromissos anteriores, não há problema, não se julgue, não se culpe. Você deu o seu melhor! E siga em frente.



domingo, 22 de fevereiro de 2015

"Pegue todos os 'nãos' que a vida te faz engolir e transforme em canção pra te ajudar a seguir. A grandeza não está em tocar sempre a melhor música, mas em aprender a dançar corretamente todas as melodias!"

- Fernanda Gaona




sábado, 21 de fevereiro de 2015

"Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde onde as certezas moram.
É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas estivessem abertas. A verdade é oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas aos vôos. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam…"

- Rubem Alves


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015


"Aqueles que encontraram a fonte do amor dentro de si mesmos não têm mais necessidade de serem amados - e eles serão amados. Eles amarão por nenhuma outra razão além de simplesmente terem muito amor - assim como uma nuvem de chuva quer chover, assim como uma flor quer desprender seu perfume, sem desejo de conseguir qualquer coisa. A recompensa do amor está em amar, não em conseguir amor. E estes são os mistérios da vida: se uma pessoa é recompensada simplesmente por amar, muitas a amarão, porque, por estarem em contato com ela, lentamente começarão a descobrir a fonte dentro de si mesmas. Agora elas conhecem pelo menos uma pessoa que irradia amor e cujo amor é fruto de nenhuma necessidade. E quanto mais ela compartilha e irradia seu amor, mais ele cresce."

- Osho


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"Quando nos deixamos guiar pela felicidade, 
nos posicionamos num tipo de caminho 
que sempre esteve ali, à nossa espera, e vivemos exatamente 
a vida que deveríamos estar vivendo" 

- Joseph Campbell


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"A imunidade, ainda que necessária à conservação da nossa vida, uma vez levada além de um certo limite, a constringe numa espécie de jaula na qual acaba por perder-se, não só a nossa liberdade, mas também o próprio sentido da nossa existência, isto é, essa abertura da existência para fora de si mesma, à qual se tem dado o nome de communitas".
- ESPOSITO, 2013.

Ou “Não se pode encontrar a paz evitando a vida.” – Virginia Woolf


“Quanto maior a armadura, mais frágil é o ser que a habita...” 

- Padre Fábio de Melo



terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

"Se a dor é inerente à vida, ela necessariamente não é algo ruim, mas algo que nos impele a buscar um jeito de viver que faça mais sentido para nós. (...)
É na incompletude, que não se fecha com nenhuma pílula, que talvez possamos, individual e coletivamente, empreender uma busca sem nenhuma garantia, como são todas as buscas, que nos leve a criar uma vida que ainda possa fazer um robô aspirar a uma existência humana. 

- Eliane Brum em "Os robôs não nos invejam mais" 


"Creio que a transcendência é talvez o desafio mais secreto e escondido do ser humano. Ele se recusa a aceitar a realidade na qual está mergulhado porque se sente maior do que tudo o que o cerca. Com seu pensamento, ele habita as estrelas e rompe todos os espaços. Essa capacidade é o que nós chamamos de transcendência, isto é, transcende, rompe, vai para além daquilo que é dado. Numa palavra, eu diria que o ser humano é um projeto infinito". 

- Leonardo Boff em "Tempo de Transcendência"


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"Ama-se quem a gente menos espera,
quem mais nos surpreende, 
quem mais nos irrita,
quem mais nos desafia."

- Fabrício Carpinejar 




domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Não morre quem se ausenta, 
morre quem é esquecido."

- Mia Couto


sábado, 14 de fevereiro de 2015


"Não sei muito sobre mim mesma. Quando acho que sei um pouco, 
eu mesma me desmascaro e escapo de mim. ".

- Eliane Brum em "O olho da rua"


Boletim de ocorrência

"Venho, por meio desta, registrar uma série de furtos dos quais estou sendo vítima nas últimas décadas. 
Não mencionarei o fato de terem levado o principal, meus 17 anos, visto que naquela ocasião eu julgava aprovar a perda, na ansiedade de me tornar adulta. A denúncia em questão, portanto, se limitará às subtrações alheias à minha vontade e consciência, ou seja, aquilo que realmente constitui furto, roubo, extorsão, e, em conseqüência, crime. 
Levaram-me muitas afirmações e negações, muitas interrogações, muitas exclamações, minha capacidade de me surpreender todos os dias.
Tiraram-me o privilégio de não saber dar respostas exatas. 
Levaram-me a tranqüilidade de comer batatas fritas.
Levaram minha ambição de brincar de pique-bandeira.
Levaram-me a satisfação de receber cartas pelos Correios, com letras azuis manuscritas pertencentes aos seus remetentes, meus entes queridos.
Levaram meu bel-prazer de usar tranças e meu direito de usar minissaia, em troca de mais autocrítica.
Levaram meu pai, levaram minha mãe, levaram minha permissão de chorar por qualquer motivo que eu julgasse conveniente.
Levaram os bebês que eu tive e me devolveram filhos em idade adulta.
Levaram minha urgência. Minha leviandade. Minha imprudência. Parte considerável da minha saudável ignorância. 
Substituíram a minha aflição brutal por outra, mais sutil e complicada.
Foram levando, um a um, minha vitrola, meu gravador de rolo, meu walkman, meu aparelho de VHS e meu CD player, rebaixando meus discos e fitas à condição de entulho, e, não contentes com isso, carregaram meu orgulho de ser uma pessoa up-to-date.
Levaram minha possibilidade de dirigir um jipe sem capota por aí pela cidade.
Levaram-me a faculdade de ler livro, jornal, ou revista, sem um par de óculos na cara.
Levaram minha certidão de nascimento e, em seu lugar, deixaram um papel amarelado caindo aos pedaços.
Levaram-me um grande número de crenças.
Levaram minha coragem de me alucinar madrugada adentro. 
Recorrentemente estão me levando todos os dias seguintes às minhas poucas noites de farra.
Extorquiram meu sossego de flanar, pela rua ou pela mente.
Surrupiaram parte do meu fôlego, dos meus ímpetos, do meu fogo.
Levaram minha licença de ficar de bobeira.
O prejuízo já se tornou incalculável, o que, por si só, já justificaria a queixa pública, mas parece ser também irrecuperável. O principal objetivo desse relato, portanto, é o desabafo.
Não vou negar que me presentearam com diversas coisas novas, entre elas uma boa dose de paciência. Não gostei de algumas destas, deste saudosismo, por exemplo. Não incrimino alguém em especial pelos roubos, nem o tempo, nem a vida, e até agradeço à morte pelo favor de não ter chegado ainda, permitindo assim que tudo isso acontecesse. 
Também não solicito indenização. 
Só queria tudo de novo."

- Adriana Falcão 


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"O privilégio de toda uma vida é ser aquele que nascemos para ser. Siga a sua bem-aventurança, lá onde há um profundo sentido do seu ser, lá onde seu corpo e sua alma querem ir. Encontre a paixão da sua vida e siga-a, siga o caminho que não é caminho. Quando tiver essa sensação, fique aí e não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar. E portas se abrirão onde antes não havia portas e você sequer imaginava que pudesse haver" 

- Joseph Campbell


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

"Felicidade é quando a boca é pequena demais pro tamanho do sorriso 
que tua alma quer dar."

- Bárbara Matoso


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

"A beleza propõe, mas é o que a pessoa é por dentro que convence. Como uma canção, talvez. Não adianta ser bonita. Você só leva para a vida inteira se ela divertir você, se você ficar com vontade de dançar cada vez que a ouve, se ela significar algo, se ela mexer contigo de alguma forma, se ela te perturbar de uma maneira que você não consegue mais comandar seus próprios joelhos."

— Gabito Nunes


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

"Crianças que apresentam qualquer um dos vários sintomas hiperativos, ou todos eles, muitas vezes estão simplesmente evitando sentimentos dolorosos. Uma criança incapaz ou não disposta a exprimir sentimentos contidos, certamente pode ter dificuldade em ficar sentada, prestar atenção, concentrar-se - e não ter nenhuma dificuldade motora ou percepcional com base neurológica. [...] Crianças temerosas, com raiva ou ansiosas podem se comportar desta maneira, e parecem ser 'crianças hiperativas', com todas as implicações deste rótulo".

- Violet Oaklander em "Descobrindo crianças" (p. 249)   


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

"Resolvi deixar o passado passar e aceitar que sou o que sou por causa dos tombos, dos tropeços, das lágrimas, das derrotas, mas também por causa de todas (muitas) as vezes que eu poderia ter desistido e segui em frente e enfrentei meus medos.
Sou a soma dos fracassos, das conquistas e de uma fé em mim que eu não sei de onde vinha. O fato é que tem muita vida pela frente e pra lá que eu vou olhar.
Porque a maturidade me ensinou que o primeiro passo é o começo de tudo que pode ser bonito, é só levantar e caminhar."

- Karla Tabalipa


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Eternas são as nuvens - texto publicado em 28/11/2012 - HILDA LUCAS

Para onde vai tudo que se vive? Para onde vai a mágica de certos instantes? A comunhão que se viveu, a cumplicidade de dividir tempo, espaço, experiências inaugurais? Para onde vão o carinho, a parceria, a entrega? Para onde vai o conhecimento, pessoal e intransferível, que se tinha do outro?Para onde vai o que só vocês viram e experimentaram: o nascimento de um filho, a morte de um amigo, a notícia daquele emprego, o assalto, a compra da casa, o diagnóstico ameaçador, a noite no acampamento, aquele show em Londres? Para onde vai a consciência que você tinha, de, com apenas um olhar, saber se ele estava feliz, deprimido ou ansioso? Para onde vai a absoluta intimidade que se teve com o outro?
Acredito que isso tudo fica em algum lugar interno, como um site, uma espécie de nuvem onde armazenamos tudo o que vivemos. Tão reais e etéreos como o iCloud, temos os nossos weClouds, que podemos acessar ou que nos acessa, algo que fica preservado, e que, mais do que nos fazer lembrar coisas, nos acolhe e ratifica. O weCloud guarda o essencial, o que ficou depois da ruptura, da tempestade, o rescaldo de um tempo, um a dois permanente, que sobrevive aos acordos rompidos, às bênçãos desfeitas, às juras esquecidas. No weCloud, ficam o sumo, o substrato, a força do projeto um dia compartilhado. No weCloud, ficam o afeto espontâneo, o registro das intenções sinceras, da vontade de acertar e de tudo o que foi verdadeiro.
Os relacionamentos podem acabar, mas não o vivido. Não se trata de memória, nem de “detalhes tão pequenos de nós dois”. Não se trata de viver no passado, nem de não aceitar os fatos. Não se trata de sublimar dores e porradas ou se refugiar num mundo alegrinho de autoajuda e negação. Não se trata de dourar a pílula e contar para si uma história diferente. Trata-se de vida bem vivida que não pode nem deve ser perdida. Tudo o que vivemos e sentimos vira acervo, fonte, ferramenta; é nosso para sempre.
Quando estamos com alguém, somos, em alguma instância, uma pessoa única, que só aquele companheiro conhece. Maria é para João uma Maria que ela nunca será para Pedro, que é um Pedro para Maria, que nunca será o mesmo para Ana. Maria poderá ser muito mais feliz com Pedro do que com João, mas ela terá sempre sido a Maria do João e haverá sempre um lugar onde Maria e João se reconhecerão, mesmo que nunca mais se encontrem.
Somos o que vivemos, e não podemos abrir mão disso. É fundamental que cuidemos da nossa história, que saibamos acolher nossas experiências com generosidade e entendamos que certas vivências, emoções e descobertas foram únicas e estarão sempre produzindo algum efeito em nós.
Todo fim de relacionamento pede tempo. Tempo para o luto, para a saudade, para a cura, para o distanciamento, para a neutralidade, para o recomeço. Existe um caminho a percorrer que vai do fundo do poço ao fórum, do desespero ao terapeuta, da perplexidade à aceitação, do abandono à libertação. Há que fazer faxinas: roupas, livros, fotos, palavras mal ditas, mágoas, decepções. Há que separar papéis, propriedades, planos, sonhos. Há que separar, acima de tudo, o trigo do joio, o passado do futuro, o extinto do eterno. Há que guardar as coisas que não cabem em malas nem cofres, aquilo que não se quantifica nem se elenca em formais de partilha e declarações de renda. Há que “amar o perdido”.
Só quem tem passado tem futuro. Escolher a bagagem que se carrega é decisivo para seguir adiante. Entre fardo e combustível, asas e correntes, você decide. Entre salvar e deletar, você decide. Conjugar sem medo o pretérito imperfeito para viver o futuro do presente.
Depois de um tempo, as dores passam... Sim, elas se cansam de nós e, se somos saudáveis, nos cansamos delas também, seguimos em frente, voltamos para nós mesmas, dispensando o que não nos serve mais, garimpando minúsculas preciosidades, recolhendo luminosidades, cheias de preguiça de sofrer, prontas para recomeçar, de novo, mais uma vez. Um belo dia você se pega pensando naquele “nós”, que deixou de existir, sem a fisgada de saudade, nem ressentimento, nem raiva. Você pensa com serenidade. Você pensa não mais no “ex”, mas no companheiro de vida: sai o “ex”, fica o amigo.
É quando você o abraça no velório do pai e sabe como ele está se sentindo e ele também sabe que você sabe como ele se sente, e isso é muito íntimo e confortante e está lá, na tal nuvem, para sempre.
É quando você recupera em DVD seus filmes em Super 8 e fitas em VHS, com todas as fases e faces queridas da sua vida, e faz uma cópia para ele, porque sabe que aquilo tudo é parte da vida dele também, e você se sente grata por compartilhar.
É quando você recebe um presente sem cartão: um disco de vinil de um show que você foi com um certo namorado. Pronto, lá está o para sempre: os anos 70, a avidez de descortinar o mundo, a larica, a revolução, o incrível mundo das primeiras vezes, compartilhado com entrega e inocência. O cartão é desnecessário, pois só você e ele sabem quem vocês eram naquele dia-tempo e o que significou estar ali naquele concerto de rock.
É quando você encontra numa caixa esquecida rolhas de champanhe e sementes de romã, que fazem você lembrar quem você era e como você se sentia quando estava totalmente apaixonada por aquele cara na Itália.
É quando você escreve um livro sobre maternidade e manda em primeira mão para o pai dos seus filhos, porque ninguém mais do que ele sabe como você ficava quando estava grávida, pois só ele viu seu estado de graça e, talvez, antes mesmo de você, ele viu você virar mãe.
Lá estão vocês, no weCloud, sócios de experiências transformadoras, parceiros de sonhos, realizados ou não, amigos que cresceram juntos, cúmplices dos pequenos crimes contra o amor, vítimas dos mesmos desgastes da convivência, ungidos por bênçãos comuns, coautores e personagens do mesmo livro.
Maria não é mais a mesma que foi com João, mas, para ser a Maria que está com Pedro, ela teve que ser a Maria do João, e João, para ser o companheiro de Ana, teve que ser antes o de Maria. Somos o que nascemos e o que escolhemos viver, somos o que ganhamos, o que perdemos, o que boicotamos e o que nunca alcançamos.
É muito libertador fazer as pazes com nossa história. Do que nos serve ter rombos na linha do tempo? Negar, bloquear, tornar inacessíveis as lembranças, impossibilitar um resgate saudável do vivido? Do que nos serve chamar ex-companheiros de falecidos ou equívocos? É injusto conosco. É empobrecedor. Temos essa mania de achar que só o que dura para sempre é um sucesso. Durabilidade nunca foi sinônimo de segurança, assim como o efêmero não é sinônimo de fracasso. Uma jaula é segura e nem por isso um lugar feliz, da mesma forma que viagens são fugacidades maravilhosas que se perpetuam dentro de nós. Nenhuma história é vã. Nada é. Nossa alma-memória, aquela que nos identifica, define e referencia, é como uma colcha de retalhos; alguns retalhos são mais bonitos que outros, mas todos são necessários.
“Amar o perdido deixa confundido o coração” (Drummond) porque é amar o intangível, o que, não sendo mais, ainda resiste, insiste e ressignifica o que antes tinha outro nome e valor. Amar o perdido é reconhecer que muito tempo, energia e as melhores intenções foram investidas, empenhadas e depositadas numa relação, num incrível voto de confiança no outro e na Vida. Sim, mesmo os grandes erros e as falências retumbantes têm histórias comoventes e belas. Amar o perdido é entender que nada se perde.
Amar o perdido só é possível quando você volta para a casa dentro de você. Melhor que dar a volta por cima, é voltar para si mesma. Nessa hora você se sabe inteira, apaziguada, de bem com sua história. Aí, você entende o weCloud e lembra de Quintana dizendo: “eternas são as nuvens”, e você se comove com a certeza de que um certo “para sempre” existirá, pois “as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão” (CDA).
É isso, não fica o que é lindo. Fica o que finda. Fica de um jeito real. Não fica lindo só porque finda. Fica, porque finda, e, quando finda, fica o que foi de verdade, o que nunca finda.
As coisas findas ficam. Perdidas, talvez, mas para sempre nossas. Eternas, como só as nuvens podem ser.

http://m.mdemulher.abril.com.br/bem-estar/eternas-sao-nuvens-724534
"Para mim, a experiência [de transcendência] mais fundamental, aquela que toca a profundidade de nós mesmos, é a do enamoramento. Quando a pessoa se enamora, a outra vira uma divindade. Não se mede sacrifícios, o tempo não conta. Você cancela tudo, chega a mentir para se encontrar com a pessoa amada. Por quê? Porque você sai de si e vai ao encontro do outro. É uma experiência de êxtase, extática, fora da realidade."

- Leonardo Boff em "Tempo de Transcendência" (p. 42)