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terça-feira, 31 de agosto de 2010

O contrário da morte - Martha Medeiros






Se a morte tem um oponente, não é a vida, é o amor. 

É a única coisa que pode fazer alguma diferença diante da magnitude da morte, da onipresença da morte, da longevidade da morte. 
Acabei de ler Milagre nos Andes, o relato impressionante de Nando Parrado, um dos sobreviventes daquele célebre acidente aéreo que aconteceu 30 anos atrás e que deixou vários jovens uruguaios perdidos no meio da cordilheira, sem comida, sem comunicação, sob temperaturas gélidas e tendo que se alimentar da carne dos colegas mortos.

Agora, um deles conta em detalhes como foram aqueles 72 dias de luta pela vida, num livro que se lê fácil como se fosse uma reportagem e que faz a gente se perguntar: do quê, afinal, tanto reclamamos, se temos água, pão, cobertor e afeto? Afeto, na verdade, é uma palavra soft, amor é mais contundente. Nando Parrado se propôs a mostrar que, se a morte tem um oponente, não é a vida, é o amor. 

É a única coisa que pode fazer alguma diferença diante da magnitude da morte, da onipresença da morte, da longevidade da morte: sim, porque a morte, a partir do momento que ocorre, passa a ter um período de duração infinito, e antes de virmos ao mundo ela também já existia nesta mesma infinitude de trás pra frente. Onde estávamos antes de nascer? De certa forma, mortos também. 

Nossa vida é apenas uma pequena brecha de tempo entre duas ausências acachapantes. E para justificar este breve intervalo de vida e enfrentar a soberania da morte, só mesmo amando. 

Tem se falado pouco de amor, virou uma coisa meio piegas, antiga. 

Hoje cultua-se muito mais a paixão e demais sentimentos vulcânicos, aqueles que fazem barulho, que inspiram loucuras, que causam polêmicas, que atormentam, que dilaceram, que fazem as pessoas se sentirem, ora, ora, vivas. 

O filósofo romeno Cioran disse que é melhor viver em frenesi do que na neutralidade, e tem razão, vigor é algo de que não podemos abrir mão. A questão é que nada é mais vigoroso que o amor, este sentimento que erroneamente relacionamos com comodidade e mornidão, tudo porque associamos amor ao casamento: este sim pode vir a se tornar algo acomodado e morno. 

O amor pega essa carona injustamente. 

Amor não é apenas o que aproxima um homem e uma mulher (ou dois homens ou duas mulheres). Amor envolve pais e filhos, envolve amigos, envolve uma predisposição emocional para o trabalho, para o esporte, para a gastronomia, para a arte, para a religião, para a natureza, para o autoconhecimento. 

Amor é um estado de espírito que nos move constantemente, é uma energia que não se esgota, é a única coisa que faz a gente levantar de manhã todos os dias sem entregar-se para o automatismo, é o que dá algum sentido para este hiato entre duas mortes. 

Isto não é vulcânico? Ô. 

Parece sermão de padre, parece texto de romancezinho barato, parece muito piegas, sim, mas e daí? 

Nando Parrado só conseguiu sair do meio da neve e do nada porque pensava dia e noite na dor que seu pai estaria sentindo. Outros sobreviventes só conseguiram suportar o frio, a fome e o desespero porque tinham quem esperasse por eles do outro lado da cordilheira. Tiveram sorte, coragem e inteligência para transpor os obstáculos, e venceram, mas o próprio Nando admite: não houvesse um sentimento, pouco adiantaria. 


Nós, com nossos obstáculos infinitamente mais transponíveis do que a cordilheira, deveríamos experimentar mais deste viagra motivacional chamado amor. 

E azar se parecermos cafonas. 

- Martha Medeiros - "Doidas e Santas"

sábado, 28 de agosto de 2010

A.C.A.L.M.E.- S.E.



Exercícios para controle da ansiedade


Este roteiro nos foi passado pela professora Conceição Reis, psicóloga cognitiva-comportamental. Se não me engano, foi criado por Bernard Rangé. São dicas simples, mas eficazes para ajudar no controle de ansiedade.


1. Aceite sua ansiedade: trata-se de uma reação ao estresse, que não mata!

2. Contemple o mundo exterior: distraia-se, preste atenção a outra coisa fora de você, leia, cuide de uma planta, conte "ladrilhos", etc...

3. Aja com a ansiedade, não deixe de fazer o que tem a fazer.

4. Libere o ar de seus pulmões: respire calma e profundamente, para que você tenha bastante oxigênio, seu coração bata mais lentamente, as sensações fisiológicas de calor, sudorese, falta-de-ar, formigamento, tonteira, etc., passem aos poucos. Em geral, uma série de 16 (dezesseis) sequências de inspiração-expiração bem profundas e lentas são suficientes para, em 01 minuto, debelar a sensação de desconforto e o medo de morrer.

5. Mantenha os passos anteriores: consciência de si, controle da respiração...

6. Examine bem o conteúdo de seus pensamentos catastróficos: que prova você tem de que tudo de ruim e trágico vai mesmo acontecer? Você não está exagerando o mal-estar? Você tem consciência de como está, neste momento, sua respiração? (Quanto mais angustiada uma pessoa, mais insuficiente a respiração. Aqui, vale o inverso: Quanto pior a sua respiração, pior a sensação física de desconforto, medo, etc...). Reconheça sua capacidade de se auto-controlar.

7. Sorria, você está conseguindo!!! Até já conseguiu!

8. Espere o melhor: na medida em que você se exercitar dessa forma, as crises serão menos ameaçadoras. Com a ajuda do seu médico/terapeuta, as crises vão sendo controladas. Se for necessário, o médico lhe receitará algum medicamento.

Portanto: A C A L M E - S E !


- Espero que possa ser útil.

Até a próxima!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Sentir-se amado - Martha Medeiros





"O cara diz que te ama, então tá! Ele te ama. 
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. 
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. 
Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de 
quilômetros. 

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras. 
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que 
zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando 
certo, que se coloca a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida 
em você quando for preciso. 

Sentir-se amado é ver que ele/a lembra de coisas que você contou há dois 
anos atrás, é vê-lo/a tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela 
fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz 
que você está fazendo uma tempestade em copo d'água. 
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. 
Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente inteiro. 
Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que 
tudo pode ser dito e compreendido. 

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem 
inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta 
muito tempo. 

Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas 
fala; quem não concorda, mas escuta. 
Agora, sente-se e escute: eu te amo não diz tudo!"



Porque às vezes, o que a gente precisa é apenas saber que é amado,
é sentir que vale a pena continuar na caminhada,
é acreditar que vale a pena viver.