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quinta-feira, 25 de junho de 2015

"A psicologia tem valorizado o tema do amadurecimento como uma meta a ser alcançada e se utiliza do rótulo regressivo para desqualificar tudo aquilo que evoca um momento da vida que já devia ter sido superado. Na falta de parâmetros sociais, criamos vagas definições psicológicas, em que a dependência, a dificuldade de suportar as frustrações, os sentimentos egoístas, a dificuldade de controle da raiva e muitos outros estados psíquicos são indesejáveis dentro da dita condição adulta, sendo considerados restos infantis, portanto aspectos regressivos.

A idade adulta é então compreendida como uma época de bom senso e equilíbrio mental. A bem da verdade, a dita maturidade não existe de um modo taxativo, pois carregamos conosco restos da nossa infância e adolescência pela vida afora. Esses restos, enquanto memórias não elaboradas, ainda falam em nós, produzem sintomas e estão na gênese dos desejos mais importantes. É na condição de passageiros clandestinos - que de tanto em tanto se organizam em motim e mudam o curso da embarcação - que a criança e o jovem que fomos viajam pela vida afora, ou seja, entranhados e escondidos num sujeito dito crescido e amadurecido".

- Corso & Corso em "Fadas no divã" (p. 229)


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